quarta-feira, janeiro 09, 2013

Rui Paz - Um lutador, um amigo !

Rui Paz - foto de Fernando Genro

Foi com enorme tristeza que recebi a notícia da morte do Rui. 

Manifesto aqui a grandiosidade da personalidade deste homem de convicções, dócil, inteligente, tolerante, lutador em prol dos  mais desprotegidos da sociedade e muito empenhado nas questões  das Comunidades Portuguesas. 


Nos anos que tive o prazer e a honra de conviver com o Rui nos assuntos das comunidades portuguesas, e sempre senti dele uma personalidade  de muita classe, pela forma que intervinha nos debates e nos argumentos que apresentava.

Com o Rui Paz aprendi muito, e nas longas conversas que mantivemos, sempre encontrei no Rui o espírito de um homem de muita classe, e conhecedor de muitas coisas das comunidades portuguesas.


Depois de eu ter deixado de ser membro do CCP, mantive contatos esporádicos com o Rui por correio eletrônico, e sempre mantinha uma postura amiga e de carinho para com a minha atividade desportiva actual. 
Desde há uns anos que tinha alguns problemas de saúde, mas infelizmente eu não sabia que  nestes últimos meses estava assim tão grave, e que me surpreendeu a sua morte.

Por mim, o Rui Paz será sempre lembrado, como um grande homem !

quinta-feira, junho 28, 2012

Políticas para as Comunidades Portuguesas.....


As políticas de emigração têm andado nas bocas das Comunidades Portuguesas, mas pela negativa. Depois de “pateticamente” os governantes portugueses, terem “incentivado” os jovens e os professores a emigrarem, para resolverem a sua situação social, vieram da parte do mesmo governo, uma série de acções  negativas, naquilo que consiste, na minha opinião, a serem dados mais uns passos para retirarem completamente os apoios às Comunidades Portuguesas.

 São as questões relacionados com o apoio ao Ensino de Língua e Cultura Portuguesa, como despedimentos de professores, suprimento de cursos, e vieram agora colocar uma propina anual de 120 euros. Isto não vai nada em concordância com a Constituição da República Portuguesa, e deixa as comunidades completamente desprovidas, dos seus jovens poderem aprenderem a Língua e Cultura Portuguesa.  E quando assim é, o desenraizamento da cultura Portuguesa vai ser um facto, e isso vai ser notado daqui a 10 ou 20 anos, onde cada vez mais jovens, vão ter menos ligações com Portugal, e essa menos valia, não vai dignificar nada Portugal.

Depois não quero entrar, nas trapalhadas que está a ser o reordenamento do quadro de postos consulares. No entanto deixo aqui registado o meu desagrado, ao serem retirados apoios sociais e de obtenção de documentos às Comunidades Portuguesas, especialmente na Europa, onde por questões sociais essas Comunidades Portuguesas são cada mais numerosos, com os novos fluxos migratórios dos últimos anos.
Claro que eu não poderia de deixar, nesta minha retrospectiva de políticas negativas do Governo Português em relação às Comunidades Portuguesas, no que é o funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas. 

Não sendo um problema deste actual Governo, tem sido um problema, dos últimos Governos. Por um lado fazem os Governantes uma demonstração de muito apreço e muita importância deste órgão, mas por outro lado, tratam-no como sendo algo prescindível e dão-lhe praticamente nenhuma utilidade.
Afinal se o Governo na prática oculta o trabalho desenvolvido pelo CCP, para quê mantém essa ilusão do funcionamento deste órgão na cabeça das Comunidades Portuguesas. Apoios ao funcionamento são reduzidos, por outro lado as recomendações, não são tomadas em consideração, então para que serve?
Agora vêm aí mais uma alteração à lei de funcionamento, e já vamos na 3ª alteração, e quantas mais virão, porque se existe uma coisa, que os governantes têm feito ao CCP, é coloca-lo a trabalhar em função da alteração à lei.

Hajam de uma vez políticas sérias para as Comunidades Portuguesas.         

terça-feira, maio 01, 2012

O Miguel no Bloco

NÃO DESISTIU DE NADA



quarta-feira, abril 25, 2012

Miguel Portas - A minha simples homenagem.

foto do jornal I do dia 25 de abril de 2012

Ontem (24 de abril) fomos confrontados com a notícia da morte do Miguel Portas. Partilhei com ele nos últimos anos vários contactos e tivemos algumas acções em prol das Comunidades Portuguesas, em particular o novo fluxo migratório para a Holanda.

Sempre o admirei, não só nas suas intervenções políticas, mas na outras àreas em que entrevinha, como jornalista. Tive o prazer, de o destino nos ter dado a coincidência, de ter o seu apoio nas acções que eu desenvolvi durante anos junto da comunidade portuguesa na Holanda.

Vi o homem de excelente qualidades que era o Miguel. Ainda há umas semanas atráz, numa conversa telefónica e perante a minha pergunta sobre o seu estado de saúde dele respondeu-me...."Zé um dia destes, vamos tomar juntos uma cerveja em Amsterdam".
Infelizmente isso nunca vai acontecer, e isso intristece-me muito, porque eu gostava muito do Miguel.

Aqui fica a minha simples homenagem, no 25 de Abril de 2012 ( que coincidência para um homem de esquerda), a um homem fantástico!






quinta-feira, março 29, 2012

Algumas considerações sobre o Ensino da Língua Portuguesa na Holanda.


Servem estas minhas considerações, para alertar e simultâneamente colaborar para uma discussão do que resta do Ensino da língua Portuguesa na Holanda.
Fiquei preplexo há um par de meses, quando fui informado do número de alunos a frequentarem este ano lectivo ( 2011/2012), que passou de números de centenas, para agora umas escaças dezenas.


Não vou entar pelas teorias, de que o ensino da língua Portuguesa nas Comunidades é importante, que é uma mais valia, etc, etc, porque sabemos que é mesmo assim. Este é, ou deveria de ser, o papel do Estado Português em dignificar e estimular os jovens portugueses a um Direito Constitucional, conforme a alínea i do artigo 74º da Constituição da República Portuguesa.

Assim sendo, terá qualquer Governo de cumprir o que está na Constituição, sem andar à volta disto ou daquilo. Infelizmente o que tem acontecido, e no caso da Comunidade Portuguesa na Holanda neste últimos 15 a 20 anos, é que não tem havido vontade política, diplomática e administrativa em conjunto com uma visão mais alargada da importância da língua Portuguesa, de forma que  os jovens Portugueses obtenham uma mais valia na sua vida profissional, tendo no seu curriculo Língua e Cultura Portuguesa.

O panorama dos três polos importantes, onde residem as maiores Comunidades de Portugueses na Holanda ( Amsterdam, Haia, Roterdão), foi ao longo dos anos modificando, também por culpa das políticas Holandesas, quando Portugal passou a ser membro efetivo da UE, e os jovens da Comunidade Portuguesa, não foram mais considerados “estrangeiros”. Se por um lado perderam esse “estatuto” , também não ganharam nada dos direitos de cidadania europeia no que toca a a terem apoios à apredizagem da sua língua.
As municipalidades, deixaram de apoiar no seu todo o que concestia em professores e locais para o ensino. O casomais  flagrante foi o da cidade de Amsterdão, onde cerca de três centenas de alunos, que tinham uma boa estrutura, organizativa, numa escola que funcionava com um grupo de professores, e até tinham um Rancho Folclórico. Há cerca de 7 anos a Municipalidade de Amsterdão deixou de apoiar, no que concestia aos professores, tendo o estado português assumido essa responsabilidade, nestes últimos 5 anos, passou a escola a ter o seu funcionamento na Associação Portuguesa e só tem escassas dezenas de alunos.

No geral ( excepção feita ao Embaixador João Salgueiro) nos últimos anos, as autoridades Locais Portuguesas, e os Governos de Portugal, nunca trataram do ensino de Língua Portuguesa, com as Municipalidades ou com o Governantes Holandeses, de forma a que a comunidade Portuguesa tenha o tal direito de cidadania Europeia.    
Desde há vários anos não tem existido só para a Holanda um Coordenador de Ensino. A Coordenação tem estado na Bélgica, e agora está no Luxemburgo. Tudo distante, sem terem conhecimento da realidade das políticas locais.
As comissões de pais foram desaparecendo, se não são práticamente inexistentes, não têm dinâmica nem estrutura, para que possam alertar para os reais problemas e tratarem de serem parceiros importantes no contexto do ensino da língua e cultura portuguesa, como em anos atráz em que esse papel era uma realidade.

Enquanto membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, e também presidente da Comissão de pais da escola Portuguesa de Haia, entre outras actividades na Comunidade Portuguesa na Holanda, sempre tive como assunto importante as questões relacionadas com o Ensino da Língua e da Cultura Portuguesa.
Sempre dei sugestões no sentido de preservar a Língua e Cultura Portuguesa na Holanda, participei em muitas reuniões, encontros, discussões, e tanto com as autoridades locais portuguesas ( Embaixada, Consulado, Coordenação do Ensino), demonstrei a minha preocupação pelo rumo que as coisas tomavam, e sempre alertei alguns aspectos importantes, de que o funcionamento e da interligação que era necessário, entre a comunidade e as autoridades locais e o Governo de Portugal.

Desde há meia dúzia de anos, tudo se tem vindo a desmoronar. Não existe há vários anos uma Coordenação do Ensino na Holanda. Este começa a ser o ponto importante para toda a máquina poder funcionar.
É preciso incentivar a Comunidade, com informações de várias formas, no sentido de haver um aumento do número de participantes.
É necessário estruturar uma real rede de ensino, que não existe neste momento. Tem de haver locais apropriados, não ter a escola nas associações. Foi o maior erro que se cometeu nos últimos anos nas cidades de Haia e Amsterdam. As autoridades locais Portuguesas têm de demonstrar as autoridades Holandesas do importante que é a manutenção da Língua e Cultura Portuguesa.

É necessário criar Comissões de pais, com um papel interventivo, tanto junto das autoridades locais, do Governo, da Coordenação do ensino, quer junto das autoridades municipais. O importante parceiro e um grande interlocutor do interesse da língua e Cultura Portuguesa, são as Comissões de Pais, e isto tem de ser visto com bons olhos pela Coordenação de Ensino, e não ter uma Comissão de Pais só para fazer umas simples festas de natal, ou do dia de portugal.

É preciso dar uma nova vida ao Ensino de Português na Holanda, se é que existe vontade política para tal. É preciso enquadrar em tudo isto os professores que temos no terreno, e não desperdiçar quem conhece a comunidade há muitos anos, e está capacitado para dar aulas de boa qualidade.

Infelizmente, nos últimos dias um tema negativo, tem dominado o debate politico nas comunidades, acerca da eventual introdução de propinas no Ensino de Português nas Comunidades. Se assim for é a morte completa do Ensino, e não serve de nada aquilo que poderá ser qualquer contribuição para uma discussão alargada deste tema.



José Xavier

sexta-feira, janeiro 13, 2012

A Crise económica.....

Crise económica obriga portugueses a procurar trabalho na Holanda

A crise está a obrigar muitos portugueses a procurarem trabalho além fronteiras. Uma nova vaga de trabalhadores encontrou emprego e boas condições de vida na Holanda. São cerca de 260 os que já trabalham na industria do mexilhão, na cebola ou nas fábricas de queijo.

Reportagem RTP www.rtp.pt/notícias

quarta-feira, julho 06, 2011

Problemas com o Ensino da Língua Portuguesa na Holanda (II)


Afinal sempre existem problemas, com as instalações da Escola Portuguesa de Haia.

Leia e assine a petição clicando em baixo:

Uma nova localização para a Escola Portuguesa em Haia


Problemas com o Ensino da Língua Portuguesa na Holanda.


Rumores e rumores são as informações, que me fazem escrever este artigo. Mas como o povo diz… “onde há fumo, há fogo” ...

Os pais dos alunos da Escola de Língua Portuges em Haia, estão muito desagradados com o novo local que foi encontrado para Escola. Ao que parece, simplesmente não tem condições.

Isto faz-me recordar, outras « lutas «  quando fui Presidente da Comissão de pais da Escola Portuguesa em Haia. Nesse tempo a coordenadora do Ensino em colaboração com a Sec. De Estado da Educação, de muito má memória!! ( Ana Benavente), tratou de arranjar problemas aos jovens, do ensino secundário. Tudo era tratado « em cima do joelho » !, mas os pais reagiram e lutram e conseguiram manter o que era desejado, e hoje em dia muitos desses jovens, termiram o curso de língua portuguesa e foi uma mais valia para as suas vidas.

Hoje a luta continua…..mas o tratamento que o (des)governo do PS deu ao ensino de Português, está à vista. Uma (des)Coordenação que está sediada no Luxemburgo, não estará muito interessada em tratar de assuntos na Comunidade Portugesa na Holanda.
E tudo se perde. Amsterdam perdeu uma boa qualidade de ensino e trocou o espaço de uma escola, pelo espaço de uma associação, e não havia necessidade nenhuma. Haia está a ter este tipo de problemas…Para onde vamos afinal.
Será que o novo governo Português pega neste assunto do Ensíno da Língua Portugesa de uma forma séria ?!

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Autoridades Locais Portuguesas X Comunidade Portuguesa na Holanda

Só umas notas, acerca de algumas lacunas das Autoridades Locais Portuguesas na Holanda para com a Comunidade Portuguesa na Holanda.
  • Conforme já falei há meses atraz ( já foi em Maio de 2010) Para quando o Conselho Consultivo da àrea Consular de Haia. Será que não existe interesse das Autoridades em cumprir o Regulamento Consular ? ou não existe interesse da Comunidade em ter esse órgão ? Não entendo, porquê que há tanta distância, entre a Comunidade e as Autoridades Locais.

  • Vejo em outros países, onde existe Comunidade Portuguesa, um entrosamento entre Autoridades Portuguesas e a Comunidade, por exemplo na França realizam-se cursos de formação para dirigentes associativos.
    Quantas vezes já falei sobre este assunto importante, para estimular o associativismo Português na Holanda, que na minha opinião está a morrer cada dia que passa.

  • Tomei conhecimento, que o número de alunos nas escolas de língua portuguesa, estão a diminuir. Há menos interesse, os horários não são mais compatíveis, com a vida profissional e social dos pais, etc, etc. O que fazem ou fizeram as Autoridades Locais Portuguesas para inverter, esta triste realidade. Quantas vezes falei que isto mais tarde ou mais cedo iria acontecer ?!.

Ainda há bem pouco tempo, cerca de 10 anos atráz, estas situações eram bem diferentes. Reuniões regulares entre Comunidade e Autoridades, acções regulares conjuntas, Federação da Comunidade, Membro do Conselho das Comunidades e Associações em trabalho conjunto, etc, etc.

É triste, mas é uma realidade. As Autoridades Locais Portuguesas a um lado, e a Comunidade Portuguesa e os seus òrgãos estão noutro.

Foi só para deixar estas notas…..

segunda-feira, janeiro 24, 2011

De abstenção a abstenção elege-se um PR.

Grande taxa de abstenção nas votações nas Comunidades Portuguesas. Não é novidade, é sempre a mesma rotina de cada acto eleitoral. Os partidos políticos abstêm-se de qualquer responsabilidade na abstenção que existiu, e responsabilizam sim os cidadãos de não votarem. Os políticos esquecem-se é que com as baixas qualidades de campanhas, como esta que ocurreu nas duas últimas semanas, certamente contibuiram e muito para a elevada abstenção.

Nas Comunidades Portuguesas, esta habitual e rotineira abstenção, não se deve só à baixa qualidade do tipo de campanha, mas o todo um universo de problema com que se depreendem o sistema eleitoral português e o próprio receseamento eleitoral.

Tudo isto tem sido, sistemáticamente relembrado pelos òrgãos das comunidades portuguesas, e pela imprensa das comunidades. Os políticos, e em especial os que representam as comunidades portuguesas, lembram-se das questões e das recomendações, só a pouco tempo da realização dos actos eleitorais, e depeois lá vêm umas emendas à lei eleitoral nas comunidades, mas nunca é para melhor, e estes remendos não trazem algo de novo significativo à participação das comunidades portuguesas nos actos eleitorais.

Cada partido, achega-se ao seu próprio interesse, e depois joga se a lei a emendar poderá ser a seu favor ou não. Desde o método de votação, até ao receseamento, de tudo serve para « o jogo » dos interesses ter ou não uma modificação clara aos serviço das comunidades portuguesas.

Já há vários anos, que andamos a falar no mesmo, e « não passamos da cepa torta ». Eu mesmo já participei em discussões dentro de òrgãos que pertenci e publicamente já afirmei muitas destas coisas, inclusivamente fazer-mos ou aprender-mos com outras nacionalidades, que têm comunidades espalhadas pelo mundo e que os seus cidadãos participam de forma activa nas eleições. Veja-se o tipo de recenseamento elitoral dos Espanhois, conforme já apresentei tantas vezes.

Não sei do que têm medo os políticos portuguesas, de forma que haja melhorias consideráveis no recenseamento eleitoral ou de modificar o sistema eleitoral nas Comunidades Portuguesas.

A nível de uma campanha para a participação cívica nas eleições nas comunidades portuguesas, não é feito nada. Ficam-se por um cartazes nas associações e consulados, de resto mais nada. Será que só existem portugueses que vão às associações ? Então e todos os outros ( a maioria) que não se desloca às associações ? Nas televisões, só existe ( se existiu) informação na RTPi ? Então e nos outros canais de televisão, onde muita gente já está ligada ? Não existe algum « iluminado acessor » na Secreataria de Estado das Comunidades, que tenha conhecimento destas novas realidades ?

Agora daqui a 5 anos cá estarão de novo os políticos a darem mais uns toques na lei eleitoral, e tudo continuará na mesma !!

Viva Portugal.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

O exôdo dos jovens Portugueses .

O artigo do jornal De Volkskrant, tráz uma série de realidades que conhecemos bem, onde a « Juventude Portuguesa está em fuga », e que existe « um declíneo populacional em paralelo com a crise financeira” onde “muitos jovens estão a emigrar “ e que é “um êxodo na procura de felicidade” .

Esta nova realidade, não vem só de agora, já vem desde o inicio dos anos 2000, quando começaram na Holanda a aparecer os Portugueses contratados temporáriamente, para as àreas agrícolas, e hortículas.

Nessa altura começaram a aparecer os primeiros problemas, com os tipos de contratatação, de acesso aos serviços de saúde e de habitação. No entanto aumentou o volume de pessoas contratatas e pioraram todas as condições. Também eram contratados, de todas as idades e os mais desqualificados, e começaram a ver-se pelas ruas nos anos 2006 / 2007 / 2008, casos dramáticos com Portugueses que uns eram provocados pelos tipos de contratação, como também pela forma que as pessoas tudo aceitavam em troca « de um ideal que lhes era prometido ». Essas pessoas descuidadas aceitam qualquer coisa por qualquer preço e depois encontram-se com problemas, mas posteriormente passam para outros idênticos porque continuam a aceitar isso, e lá vão vivendo numa situação inaceitável.

Este artigo, de um jornalista Holandês, feito em Portugal, veio agora demonstrar outra camada da sociedade Portuguesa, porque a crise agora já toca também aos engenheiros , aos arquitetos e a outras profissões similares.

Afinal nota-se que aquilo que muitos jornalistas Portugueses sempre escreveram e denunciaram tinham razão, infelizmente sempre foi tentado ser tapado pelo Governo do PS. Foi sempre como « tapar o sol com a peneira » e os resultados estão à vista, afinal o Xavier e António e o Fernando, sempre tinham razão, ou não tinham Srs políticos do PS ?

quinta-feira, setembro 16, 2010

A luta pelo Ensino, também na Bélgica !!

Pedro Rupio , Membro do Conselho das Comunidades, representante pela Bélgica, enviou um comunicado, sobre os problemas de ensino de língua Portuguesa naquele país.

Quando li o teor do comunicado e a forma de luta que está a desenvolver com os pais dos alunos, tive imediatamente um “déjà vu”sobre este tema.

Há cerca de alguns anos atráz , por volta do ano 2000 ( já me passam algumas datas !), ainda era Sec. de Estado da Educação, Ana Benavente, tivemos um problema idêntico, com o que se passa hoje em dia na Bélgica.

O ensino secundário em Haia, ( sistema paralelo) teria de ser passado para um dia semanal e num horário que não era compatível com os horários, do sistema escolar Holandês.

Esse choque não proporcionava que os nossos filhos pudessem continuar a aprendizagem da língua Portuguesa.

Durante três anos arranjamos um local numa escola, suportamos parte da despesa, e os alunos continuaram a participar às sextas-feiras nos cursos de língua portuguesa. Essa persistência deu que quase todos acabaram o curso, hoje é uma mais valia para os seus curriculos escolares e profissionais e outros até conseguiram fazer o exame final e tiveram a certificação oficial.

Aquilo que uma Coordenadora, com o apoio de uma Sec. de Estado, que não percebiam nada do assunto, e estavam a tomar medidas para suprimir o acesso aos alunos de língua portugesa, deu-nos motivação para lutar e hoje sentimos todos orgulhosos pela luta que desenvolvemos, pois os nosso filhos foram os beneficiados por essa luta.

Tal como tenho alguns apontamentos neste meu blogue, existe neste momento o interesse, de influenciar a desmotivação das comunidades de forma que não participem nos cursos de língua portuguesa. Ao contrário daquilo que o (des)governo do PS fala com o aumento de investimento, o que existe na prática é menos crianças a participar nos cursos de língua portuguesa. Não existe reforço nenhum e até pelo contrário, existem é dificuldades em cima das comunidades. Veja-se o caso aberrante, de haver a partir deste ano lectivo, uma Coordenadora do Ensino para o Benelux. Como diz o povo, « andamos de cavalo para burro ! », se agora o (des)governo justifica que não é necessário uma coordenação para cada país, é porque o desinteresse aumentou.

Sobre a luta do Pedro Rúpio e da Comunidade Portuguesa na Bélgica, faz todo o sentido ! Ou será que o ensino de língua e Cultura para as Comunidades não é um serviço público e um direito constitucional ?

Será que o ensino de Língua Portugesa não é reconhecido como um complemento à cultura dos nosso jovens portugueses, ou será que eles terão de estar ao dispor dos sabores politico-economicistas do (des)governo de Portugal ?

Links curiosos sobre questões das tomadas de posição do (des)governo do PS, em matéria das Coordenações de Ensino :

http://www.instituto-camoes.pt/noticias-ic-portugal/nomeados-novos-coordenadores-da-rede-de-ensino-portugues-no-estrangeiro.html

http://www.instituto-camoes.pt/encarte-jl/ensino-portugues-no-estrangeiro-uma-rede-de-diversidades.html

quarta-feira, agosto 18, 2010

A SECCÃO CONSULAR DE PORTUGAL EM HAIA

Há mais de 25 anos ( quase 30 penso!) o movimento associativo da Comunidade Portuguesa na Holanda , consegui uma importante reivindicação em prol da comunidade. O Horário do Consulado de Portugal estava um dia ( era a 3a feira) aberto até mais tarde, pois conseguia-se dessa forma atender as pessoas que trabalham e têm horários complicados.
Neste momento a Secção Consular da Embaixada em Haia, modou o horário, sem tomar em consideração a Comunidade o que considero de mais uma medida silenciosa, que vem desrespeitar os interesses dos Portugueses que residem na Holanda.
Esta medida governamental do PS é mais uma das vêm atentar e desrespeitar o que poderá ser um serviço público.
Concordo que os funcionários tenham direito à sua pausa de almoço, porque ninguém é de ferro e não poderá existir discriminação.

Mas será que não haverá forma de manter o serviço a funcionar de forma corrida com a alternancia de horário de pausa, e manter a abertura num dia da semana num horário que seja do interesse da comunidade ?
Afinal um Consulado ou Secão Consular não serve para prestar um servio à Comunidade, ou será que está aberto por estar aberto ?
E onde está agora o nosso movimento associativo, Federação da Comunidade, e membro do CCP para dizer alguma coisa sobre mais esta medida à revelia da comunidade portuguesa na Holanda ?
Ou será que tudo isto é feito e ninguém toma conhecimento de nada ?!


Realmente este (des)governo do PS está mesmo a "cair aos bocados" em matéria de comunidades e não só.

Este era o Horário :
Horário de funcionamento:
3as feiras - 13h00 - 17h30
2as; 4as ; 5as e 6as feiras - 10h00 - 14h30

AGORA É ESTE O HORÁRIO:

Horário de Atendimento
De Segunda a Sexta-feira, das 10h00 às 12h30 horas e das 14h00 às 16h00


Contactos do Consulado:
http://www.secomunidades.pt/web/haia/contactosconsulado

terça-feira, junho 08, 2010

Eleições Parlamentares na Holanda - 2010

Desta forma são os Sul-Europeus residentes na Holanda convidados a participar nas Eleições Parlamentares. É importante incentivar à participação e informar a importância desse acto cívico.


Os Portugueses infelizmente são pouco participativos. As eleições Parlamentares Portuguesas não tem tido o intresse da Comunidade. Depois escutamos as lamentações, que ninguém faz nada..., sendo eles os primeiros a não fazerem nada por eles mesmo.

Na minha opinião o SP ( partido da minha simpatia) e o GroenLinks deveriam de estar na formação do próximo governo Holandês, mas tenho dúvidas se isso vai acontecer.

Tal como diz o SP....isto é necessário UMA GRANDE LIMPESA!!

Se o slogam pegasse também para Portugal, seria bom !

segunda-feira, maio 03, 2010

Para quando o Conselho Consultívo da àrea Consular de Haia ?


O novo Regulamento Consular, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/2009, de 31 de Março, prevê a criação de conselhos consultivos da área consular, junto de cada posto ou secção consular, “sempre que existam, pelo menos, 1000 cidadãos portugueses inscritos”.
De acordo com o Regulamento Consular, o conselho consultivo tem como competências, “produzir informações e pareceres sobre as matérias que afectem os portugueses residentes” na respectiva área consular e ainda “elaborar e propor recomendações respeitantes à aplicação das políticas dirigidas às comunidades portuguesas”.


É estranho que na àrea Consular da Secção Consular da Embaixada de Portugal na Haia, ainda não tenha a funcionar este òrgão, enquanto que em muitos países europeus onde existem comunidades portugueas, já se encontram a funcionar os seus Conselhos Consultivos.

É estranho este relacionamento, entre as autoridades locais portuguesas e a comunidade. Dá uma aparência, que não existem questões problemáticas, que a comunidade está de um lado e as autoridades estão do outro.
Será que tudo está bem nesta comunidade, nas questões de ensino de língua portuguesa, nas questões de actividades e apoio ao movimento associativo, nas questões de apoio social e jurídico, nas questões de funcionamento consular, etc, etc ?

No meu entender, se não for cumprido o Regulamento Consular, não se conseguem interligar a comunidade e as autoridades locais, de forma que consertem em comum uma estrura dialogante, que em paralelo com o Conselho das Comunidades, poderá ser útil à Comunidade Portuguesa na Holanda.

É uma questão de boa vontade ou será que é assim tão complicado cumprir o Regulamento Consular ?

segunda-feira, março 08, 2010

Opiniões e babuzeiras !


Já algum tempo, que não tenho tido tempo para “alimentar” este meu blogue. Não é que não tenham acontecido assuntos que merecam o meu reparo de cidadão, mas o tempo nem sempre estica e ……algumas coisas ficam para tráz.
Em termos de comunidades portuguesas, tenho acompanhado, alguns assuntos nas últimas semanas. No entanto existe um que não posso deixar de sublinhar, pela negativa, e que tem a haver com as “babuzeiras” do Deputado do PS Paulo Pisco.

Este Deputado, deveria de conhecer bem as comunidades, e estar no terreno, para poder falar de coisas que ele não conhece. Aliás este “paraquedista” , tem-se pautado por ser o “bombeiro de servico”dentro do PS em assuntos de comunidades. Coitado não sabe é trabalhar com a “mangueira”mais apropriada, pois tenta “apagar os fogo”, mas vai lancando é polvora em cima dos mesmos.

Esta última questão, sobre o aumento dos numeros de emigrantes portugueses, é mais uma tentativa de “tapar o sol com a peneira, bem ao jeito deste senhor.
Em tudo o que se mete, só demonstra mesmo aquilo que ele não está capacitado, nem conhece para falar destes assuntos.
Dizer no seu artigo do jornal Expresso, que na Holanda a Comunidade Portuguesa aumentou só 1.200 Portugueses, é não conhecer absolutamente nada de nada.
O Senhor justifica-se só e exclusivamente os numeros consulares, mas esquece-se que existem centenas e centenas de portugueses que trabalham e vivem na Holanda, que nunca se deslocaram ao consulado, nem nunca se deslocarão, pois não o fazem por várias razões.
Esquece-se este senhor, que para trabalhar na Holanda ( ou dentro de qualquer país da UE) não necessita de ter que estar inscrito no consulado, para nada. A não ser quando necessite de algum documento ( passaporte, BI, ou outro) que dependa das autoridades portuguesas.

Nunca viu este senhor, que a comunidade de trabalhadores temporários ( os tais que não contam para a sua contabilidade demográfica), espalha-se por toda a Holanda, e tampouco quase na sua totalidade, não se encontra registrada nas municipalidades Holandesas, conforme manda a lei, mas que por várias razões as pesoas não se registam.

Poderia inumerar aqui muito mais situações, de que este senhor “bombeiro de servico”, não consegue apagar, pois são realidade que ele não conhece.
Para se dar opinião sobre assuntos, temos de os conhecer, e não tantar iludir os outros com opiniões, que não são verdadeiras.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

ALELUIA!!!! – A Seccão Consular da Embaixada de Portugal em Haia.

Em comunicado enviado às Associações Portuguesas na Holanda, finalmente dia 25 de janeiro, vai abrir a Secção Consular da Embaixada de Portugal em Haia, nas novas instalações na cidade Haia, encerrando as instalações de Roterdão.

Já escrevi, vários “posts” neste meu blogue, e felizmente a imprensa portuguesa, deu destaque deste esbanjamento dos custos de aluguer deste edifício, que ficou fechado cerca de 2 anos, esperando obras de adaptação.
Lamentávelmente terei que dizer, que vale mais tarde que nunca!, porque se houvesse uma boa gestão, os custos esbanjados durante este dois anos, serviriam decerto para aplicar em itens muito mais importantes das Comunidades Portuguesas.

Espero que a partir de agora, a expectativa de melhoria de atendimento à Comunidade Portugesa na Holanda seja um facto. O edifício é bom, o local é bom, geográficamente localiza-se a meio de duas grandes comunidades portuguesas, agora aguardo para ver que tipo de atendimento vai ser colocado. Pelo menos no horário das 3as feiras , já está a comunidade a perder, pois era das 14h00 - 18h00.
A necessidade atendimento num horário mais tarde a um dia da semana, era para facilitar, agora optou-se por outra solucão. O resto vou aguardar!!!!!

No entanto deixo aqui as novas cordenadas (actualizadas em 15/06/2010):

Bazarstraat 1 - Den Haag
Telefone: 3020150
Fax: 3607701
Horário de funcionamento:
3as feiras - 13h00 - 17h30
2as; 4as ; 5as e 6as feiras - 10h00 - 14h30

terça-feira, dezembro 15, 2009

CORREIO DA MANHÃ - Entrevista: Rentes de Carvalho

Em entrevista de hoje (15 de dezembro) ao Correio da Manhã, o escritor Rentes de Carvalho, residente na Holanda, tem muitas opiniões que eu com ele partilho.

Pela qualidade da entrevista, deixo aqui, o conteúdo da mesma.


"Vejo um País triste e de tédio”

Rentes de Carvalho, escritor português que é best-seller na Holanda, publicou este ano em português ‘Com os Holandeses’ e ‘Ernestina'.

Correio da Manhã - José Saramago escreveu, em Maio de 1968, uma crítica na ‘Seara Nova’ a propósito do romance ‘Montedor’ em que falava de “uma escrita que decide sugerir e propor em vez de explicar e impor...?. Concorda?


Rentes de Carvalho - Concordaria sempre. Era uma crítica séria porque o Saramago não era o de agora, era um crítico respeitado e uma crítica dele era excelente.

- Como descreve a sua escrita?

- É simples. A dificuldade é saber o que se quer dizer e acumular as palavras necessárias. Por trás da simplicidade está um trabalho forte.


- Trás-os-Montes está muito presente na sua escrita. Quais são as recordações que guarda desse Trás-os-Montes dos anos 30/40?


- Portugal era diferente. Lembro-me do medo. Foram tempos terríveis, de fome, pobreza e humilhação. Quando escrevi o meu segundo romance, muitos jovens lá da aldeia leram e foram interrogar os pais e os avós se tinha sido assim mas a resposta foi sempre: “Não se fala sobre isso”. O medo continua entranhado nas pessoas, é o medo dos pobres, dos que não têm defesa nem direitos.


- Porque é que apesar de ter passado tantos anos na Holanda, Trás-os-Montes continuou sempre tão presente na sua escrita?


- Escrevi também sobre temas holandeses mas achei que não era tão capaz de o fazer como o faço em relação à minha gente. Conheço melhor os holandeses do que a sociedade portuguesa mas a minha afinidade é maior com o nosso povo. Se olhar para a minha vida, fui para Paris, onde vivi quatro anos, e encontrei uma sociedade diferente - com mais conforto, dinheiro e liberdade. Depois fui para a Holanda, onde vivo, mas o que guardo como os anos mais importantes foram os meus 20 anos que passei em Portugal. Estive 14 anos sem poder regressar mas quando voltei, em 1964, encontrei tudo como tinha deixado. No regresso à Holanda, cheguei ao aeroporto e ouvi-me a dizer: cheguei a casa e, esse sentimento de chegar a casa, nunca tenho quando venho cá. Quando chego a Portugal sou a pessoa de antigamente, aquele que ficou cá. O meu primeiro romance fala do que me teria acontecido se tivesse ficado e é nesse livro que sinto que fugi ao destino. O holandês é a língua com que escrevo no diário, com que falo no quotidiano, é a língua do amor e da família, o inglês e o francês são as minhas línguas de leitura e o português é a língua em que eu escrevo – é como se tivesse um quarto em que ninguém entra, ali mando eu. É o meu tesouro.


- Escreve ficção ou memórias?

- Os dois. Tenho contos que as pessoas perguntam se aconteceu mesmo e não posso dizer que é ficção porque não acreditam.

- Como é que um escritor opta pela fusão das duas?

- Tem um filtro. Faz uma valiação entre o que é bom e o que não é. O segredo é não deixar que o leitor perceba o que é o quê.

- Vendo de fora, o que há a dizer sobre Portugal?

- Vejo um País triste, de tédio e do almoço. O acontecimento mais notável para o português é o almoço. A pessoa levanta-se, trabalha um bocadinho e depois vai almoçar e, estende o almoço como se fosse um fim em si.

- Foi obrigado a sair de Portugal por razões políticas. O que aconteceu?

- Eu estava na faculdade de Direito e fiz umas perguntas sobre os sindicatos e um dos professores não gostou. Um dia o meu pai foi abordado pela PIDE: “O rapaz que tenha cuidado porque arrica-se a ir para a cadeia”. Na altura, ou saía de Portugal ou era preso, o que não me deixou escolha.

- Já alguma vez pensou como seria se não tivesse ido embora?

- Era um escriturário de segunda na Câmara de Mogadouro ou tinha aprendido a arte de sapateiro. No livro ‘Montedor’, mostro isso mesmo: o que me teria acontecido e a tantos outros como eu.

- Que razões encontra para vender cerca de 120 mil exemplares de um livro na Holanda e não ter o mesmo sucesso em Portugal, sendo ele tantas vezes mencionado nas obras?

- Os holandeses acham-me simpático e eu ganhei uma certa reputação quando comecei a escrever nos jornais em holandês. Escrevi ‘Com os Holandeses’, de 1972, que vai agora na 13ª edição e continua a vender. Eu sou bom na escrita, sou diferente. Um escritor holandês tem um número de temas sobre os quais escreve – sexo, amor, família e, depois aparece um sujeito a contar histórias de Trás-os-Montes, que acham exótico e bonito. Em Portugal, talvez não seja tão conhecido porque é preciso ter os amigos certos, dizer que determinados livros são bons, entre outras coisas e, eu nunca entrei nesse jogo. Neste sentido a pátria é madrasta.

- Olhando para Portugal e para a Holanda, que características se podem apontar como o que de melhor há nos dois países?

- Na Holanda, há sentido de organização, pontualidade, não há quase corrupção no aparelho do governo e há responsabilidade social, enquanto em Portugal apenas falamos de uma roubalheira nacional. Mas temos também um sentido de carinho que falta na Holanda porque as pessoas são mais frias dentro do núcleo familiar.

- Quantos livros vendeu na Holanda e em Portugal?

- Na Holanda deve rondar o meio milhão de exemplares enquanto em Portugal falamos de cerca de três mil exemplares.

- O facto de o mesmo livro ter um número de vendas tão diferente pode apontar para diferenças nos leitores dos dois países? Quais?

- Na Holanda existe uma tradição de leitura, uma pessoa para contar na sociedade tem de ler e ter em casa uma estante com vários livros.

- Voltaria a viver apenas em Portugal?

- Vivo cá. Passo metade do ano em Trás-os-Montes e metade em Amesterdão. A casa que o meu avô construiu sozinho estava em ruína e nós mandámos reconstruir. Sentimos obrigação de a habitar por respeito ao homem que foi. É a ternura que me traz aqui.

- Nos anos em que não veio a Portugal sentiu saudades do que, além da família e dos amigos?

- De não participar. Os meus pais iam ver-me à fronteira espanhola mas eu não podia passá-la, via Portugal do outro lado, é inesquecível. Mesmo hoje, sem fronteiras, passo por ali e custa-me.

- ‘Europa Rica, Europa Pobre’, fala exactamente sobre a perspectiva de não existirem fronteiras físicas mas que para alguns permanecem lá. Qual é a ideia?

- O pobre português pode ver a Europa rica mas não pode ir para lá, enquanto povos, como o Holandês, podem andar por toda a parte. Não consigo esquecer a história dos humildes e humilhados que conheci na infância. Nós não eramos pobres mas todos à nossa volta eram, ao ponto de só terem um bocado de pão e de uma cebola para comer. A vida neste País era muito dura. Houve um ano em que fugiram quase um milhão de portugueses para irem a pé até França mas quando chegaram à fronteira da Espanha com a França, ao rio Bidasoa – que tem uma corrente terrível – atravessavam o rio a pensar que podiam nadar e morreram milhares de pessoas de quem ninguém fala. Pensavam que a fortuna estava do outro lado e deitavam-se ao rio na esperança de uma vida melhor. Quando passo por lá fico sempre emocionado.

- Voltando aos livros. Há algum que destaque em particular?

- ‘Com os Holandeses’ porque teve uma origem curiosa. Estava com um amigo holandês, que é editor, e comecei a falar mal dos holandeses – chatos, forretas, insensíveis – e ele propôs-me que escrevesse isso. Uns dias depois chegou uma carta da editora com um chegue no valor dos primeiros direitos de autor, e escrevi. Sabia que os holandeses iam aceitar, eles encaram as críticas como construtivas. Este livro tem me trazido amizades porque eles reconhecem que são mesmo assim.

- Sente algum tipo de mágoa por ser tão reconhecido na Holanda e não em Portugal, onde pertence e que tantas vezes menciona nos livros?

- Não porque as pessoas não são obrigadas a ler mas dói-me o desleixo e egoísmo que há em Portugal. As pessoa vivem em torno do pai, da mãe e dos filhos e não se preocupam com o resto do país. Vivo num país onde há alguma frieza no núcleo familiar mas o País interessa porque é de todos. Portugal é um país de poucos ricos e muitos pobres, e esta parte do País magoa-me muito.

- Qual era o seu sonho de criança?

- Ser advogado porque queria defender os pobres mas descobri que o que podia fazer para ‘gritar’ era o jornalismo. Era a denúncia.

PERCURSO ERRANTE DO ESCRITOR
Apesar dos anos na Holanda, Portugal continuou sempre presente na sua escrita. Rentes de Carvalho escreveu sobre temas do país de adopção, na obra ‘Com os Holandeses’, mas não se sente tão capaz de o fazer como o faz em relação à sua "gente", caso de ‘Ernestina’.
Viveu quatro anos em Paris, onde encontrou uma sociedade diferente: "Havia mais liberdade, conforto e dinheiro." Depois descobriu a Holanda, onde vive até hoje, mas o que guarda como os anos mais importantes da sua vida são os 20 que passou em Portugal. "Quando chego sou a pessoa de antigamente, aquele que ficou cá", garantiu ao CM.
Homem de várias línguas, Rentes de Carvalho usa a língua holandesa no quotidiano como idioma do amor e da família, tal como o inglês e o francês para a leitura, mas é o português o idioma eleito para escrever: "É o meu tesouro. É como se tivesse um quarto onde ninguém entra. Ali mando eu."

PERFIL
De ascendência transmontana, nasceu em Vila Nova de Gaia em 1930, onde viveu até 1945. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda. Desde 1988, dedica-se principalmente à escrita.

Sofia Martins Santos

segunda-feira, novembro 09, 2009

Andorra - Trabalhadores Portugueses tiveram dia negro

Em Andorra, volta novamente o tema dos trabalhadores portugueses que trabalham no estrangeiro. E volta novamente, as condições de contratação dos trabalhadores Portugueses. E volta novamente, a necessiade de reflexão sobre os casos de trabalhadores Portugueses. E volta de novo, a precaridade dos trabalhadores Portugueses. E de repente voltam todos estes temas de novo, e daqui a umas semanas, tudo está esquecido. Quem morreu teve azar, quem foi mal tratado teve azar, e quem teve problemas, teve problemas.
E A CULPA MORRE SEMPRE SOLTEIRA.

Para quê falar tudo de novo ? Para quê fazer inquéritos ? Para quê procurar culpados ? No final, se houver final, só vão existir alegações.
Alega-se que as condições eram complicadas. Alega-se que estamos perante um relatório. Alega-se que aconteceu isto e aconteceu aquilo.
E NO ENTRETANTO, VIRÁ ALGUÉM DO GOVERNO PORTUGUÊS DIZER, QUE JÁ ESTÃO A SER TOMADAS MEDIDAS NO TERRENO, PARA MINIMIZAR TODAS ESTAS SITUAÇÕES.

E o resultado de tudo isto, entra rápidamente no esquecimento. Assim se passou na Holanda, assim se passou na Inglaterra, assim se passou em Espanha, e assim se passará em Andorra.

É um dejavú habitual, que vem sempre com o ínicio do Outono….foi assim na Holanda, foi assim na Inglaterra.
Como diz o povo……….”quem se lixa é o mixilhão”!.

José Xavier


sexta-feira, outubro 30, 2009

Governo novo !?




Os Ministros do novo Governo tomaram posse no início da semana e logo de seguida foram nomeados os Secretários de Estado.
Aquilo que nos toca às Comunidades Portuguesas, o SE continua a ser o mesmo, o que quer dizer pouco teremos de mudanças, pois certamente que serão seguidas as “velhas políticas”.

Apenas com a diferenca de que, com um Governo maioritário, a cavalgada de destruição de tudo o que eram os apoios às Comunidades Portuguesas era mais agressiva e poderá agora ser mais moderada, se a oposição souber negociar muitas das propostas e anseios das Comunidades onde o o anterior Governo PS, pura e simplesmente varreu de serem dadas soluções viàveis e credíveis.

No que é respeitante à Comunidade Portuguesa na Holanda, espero que o SE, muito urgentemente dê o impulso final à abertura da Secção Consular da Embaixada em Haia, e sejam colocados os respectivos apoios que há muito são recomendados.
Afinal esta novela já deveria ter custado ao Estado Português uma quantia muito próxima dos 300 mil euros, que fariam muito jeito ao movimento associativo, e aos apoios sociais que a comunidade está carecida.

Aguardo para ver.