segunda-feira, outubro 06, 2008

O PLENÁRIO DO CCP - OUTUBRO DE 2008

Dentro de alguns dias, vai reunir em Lisboa o plenário ordinário do CCP, nesta nova era. Certamente muitos estarão ambiciosos deste momento iniciar, tal como eu estavava há onze anos atraz . Em 1997 existia uma nova era do Conselho das Comunidades Portuguesas, que dava muitas ambições no trabalho que estávamos a iniciar. Neste momento existe uma nova lei e como tal uma nova maneira de funcionamento.
A minha maneira de estar neste òrgão das comunidades portuguesas, durante todo este tempo, foi sempre de dar o melhor do meu tempo livre. Neste periodo tive a honra de presidir o Conselho Regional da Europa e também ser o Presidente da Mesa do Plenário em 2003. Mais do que uma honra é algo de muito nobre, que jamais apago da minha experiência nas comunidades portuguesas e que deu-me muita experiência na vida social.

O Conselho das Comunidades Portuguesas, é uma excelente escola de valores politico-sociais dentro das questões que envolvem as comunidades portuguesas no mundo. Foram importantes também as questões que tratámos nestes anos e foram muito importantes os aspectos que os colegas trouxeram às reuniões e aos plenários. Com eles houve um trabalho aberto e no sentido de servir as comunidades que representámos neste òrgão.

Particularmente na Holanda, não houve qualquer eleição para o novo representante no CCP, no entanto foi muito bem entregue a nomeação da Teresa Heimans. Pessoa que conhece os temas da comunidade portuguesa na Holanda, apesar das suas privacidades de saúde, certamente estará à altura de fazer a representatividade da comunidade portuguesa na Holanda , da melhor forma e dentro de uma dedicacão que conheco muito bem. Particularmente tenho trabalhado com ela há muitos anos nos temas da Comunidade Portuguesa na Holanda.

Felizmente ela irá encontar alguns dos meus ex-colegas, que continuam a dedicar á causa das comunidades portuguesas muito do seu melhor. Pessoas com uma capacidade extraordinária, que continuarão a fazer do CCP o òrgão representativo das comunidades portuguesas. Espero que entre todos façam um bom trabalho em prol das comunidades portuguesas.

“Se os homens fossem severos para consigo próprios
e generosos para com os outros,
nunca dariam azo a ressentimentos”.

sexta-feira, setembro 19, 2008

O VOTO PRESENCIAL NAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Nos últimos dias muito tem-se falado sobre a questão do voto presencial. Dramáticamente e demagógicamente tem existido muita polémica à volta de um tema que, considero “uma tempestade dentro de um copo de àgua”.
Afinal vai ficar consignado na lei o seguinte:

Artigo 54.º-ALocais de assembleia de voto no estrangeiro

a) Nos postos e secções consualres, nas delegações externas de ministérios e instituições públicas portuguesas;


b) Se estritamente necessário, noutros locais em que seja possível assegurar a fiscalização das operações eleitorais por delegados de, pelo menos, dois dos partidos ou coligações candidatos.

Assim sendo não faz sentido toda esta onda de desagrado que está à volta desta matéria.
É preciso que os partidos políticos estejam organizados na Emigração edarem organização e debates em torno de matérias importantes para a emigração.
Eleger deputados só por eleger, e depois os deputados não tratam de qualquer assunto relativo às Comunidades Portuguesas, então para quê eleger ?

Infelizmente continuamos è com um processo de recenseamento eleitoral muito “arcáico” e que terá de ser mudado em breve. Talvez seja a próxima lei a ser mudada, para as Comunidades Portuguesas.

O meu camarada e amigo Luciano Caetano da Rosa, membro do Organismo de Direcção do PCP na Alemanha

* Este artigo foi escrito para o jornal Lusitano que o publicou a 13/05/2005



Pelo voto presencial! *

Depois de muitas e demoradas insistências por parte do PCP e da CDU, o voto presencial na emigração volta a ser considerado como uma possibilidade por outras forças políticas, nomeadamente pelo actual Secretário das Comunidades. É sobre tema tão importante para a vida democrática dos portugueses no estrangeiro que desejamos deixar o nosso ponto de vista.

No âmbito formal, a democracia portuguesa vive bastante de eleições, tanto na esfera politico-institucional (eleições autárquicas, regionais, legislativas, presidenciais) como na vida associativa (cooperativas, clubes, associações, academias...) e a qualidade democrática será tanto mais elevada quanto mais participados e transparentes forem os actos eleitorais.
As eleições ditas livres, de que se fala muito, estão, porém, ainda hoje longe de ser verdadeiramente livres, pois, uma vez e outra se verificam, em cada acto eleitoral, atropelos de vária ordem como as diferenças abissais de meios financeiros e logísticos, o tratamento desigual nos média e a concorrência desleal entre certas forças políticas em presença. Daí que alguém tivesse uma vez dito que “se as eleições fossem perigosas, a burguesia há muito as teria proibido”.
Tal estado de coisas e a política da alternância sem alternativa, que já dura há três décadas em Portugal, provocam entre muitos eleitores um estado de apatia, de desinteresse pela coisa pública e de abstenção crescente.
Não obstante estas constatações não serem de difícil reconhecimento por cidadãos minimamente atentos que vivam em regimes parlamentares democráticos – burgueses, muitos países lá vão funcionando com esta legitimidade mais ou menos mitigada. Assim acontece também no Portugal actual onde a chamada “verdade do voto” está longe de representar os verdadeiros interesses do povo.

No caso dos portugueses emigrados, a sua participação cívica processa-se tanto em actos eleitorais nas Associações ou para o Conselho das Comunidades Portuguesas como nas várias eleições para os órgãos de soberania.
Para as eleições legislativas, os emigrantes têm estado sujeitos a uma possibilidade de voto por correspondência que, cremos, está absolutamente obsoleta e caduca pelo facto de não servir nem a legitimidade democrática, nem a verdade do voto, nem a transparência, nem a participação. O voto por correspondência na emigração tudo isso afecta e vamos prová-lo com a verdade dos números recuando até 1991 e estendendo a análise até ao presente.
Segundo dados estatísticos mais ou menos fiáveis, a diáspora lusa é de cerca de 4,5 milhões de pessoas, mas só uma ínfima parte dos portugueses se encontra recenseada (146.454 em 2005); e destes, só outra ínfima parte vota. A abstenção é cada vez mais elevada (74,9%, em 2005). Que dizem os números?
Em primeiro lugar verifica-se que desde 1991 o número de votantes se tem reduzido drasticamente: votaram 61.128 em 1991; 45.483 em 1995; 42.874 em 1999; 39.711 em 2002, apenas 36.721 em 2005. A democracia é muito frágil com tal grau de abstenção. É uma situação grave que deve preocupar todos os democratas, todos os que lutam por uma democracia viva e participada nos campos social, económico, político, cultural e ambiental.
Por outro lado, as anomalias com o voto por correspondência – método actualmente em vigor – têm-se avolumado constantemente. Nas últimas eleições para a Assembleia da República (Fevereiro de 2005), é preciso reter casos singulares que põem em causa inequivocamente a continuação deste voto por correspondência. Senão, vejamos:
- Foram devolvidas mais de 30 mil cartas com os votos lá dentro, devido a erros vários e à desactualização dos endereços; se o voto fosse presencial, nada disto acontecia!
- Cerca de 1000 eleitores votaram, não tendo, todavia, o seu voto contado por ter chegado fora da data do escrutínio; estes supostos ou reais atrasos de correio não aconteceriam se o voto fosse presencial!
- Mais de três mil votos foram considerados nulos devido sobretudo à ausência de fotocópia do Cartão de Eleitor; se o voto fosse presencial, nada disto acontecia!
- Dezenas de milhar de eleitores têm a inscrição suspensa e não recebem a carta com o boletim de voto pelo facto de durante dois actos eleitorais consecutivos as cartas terem sido devolvidas por suposta ou real desactualização do endereço do eleitor; nada disto acontecia com o voto presencial!

Para acabar com estas situações que não dignificam nada nem ninguém, antes diminuem a nossa democracia formal, é preciso acabar com o actual voto por correspondência, extremamente complicado (envelopes dentro de envelopes, fotocópia de documentos, inscrição do número de eleitor em lugar próprio, envio por correio normal ou não, registado ou não, como selo ou sem selo...), um sistema obsoleto e caduco!
O caminho a seguir passa, de uma parte, por um grande esforço de recenseamento dos portugueses emigrados e por uma campanha de Pedagogia Social, tanto dos Partidos como das representações diplomáticas, dirigida ao recenseamento.
O caminho a seguir passa, de outra parte, pelo voto electrónico presencial que facilita imenso o processo burocrático e elimina a edição de boletins de voto em papel. O que se poupa nesta edição em papel, pode ser investido no método de voto electrónico presencial.
Quando insistimos no voto electrónico presencial, estamos a excluir o voto electrónico pela Internet. E porquê?
- Porque milhões de portugueses ainda não têm acesso à Internet;
- e, fundamentalmente, porque o voto electrónico pela Internet não é fiável nem está garantido o seu sigilo.

Com esta solução a um problema grave, o PCP dá o seu contributo por forma a que uma verdadeira melhoria no sistema de voto para os emigrantes se torne em breve realidade. Assim o actual governo manifeste vontade política em resolver o problema, a bem da democracia, da verdade do voto, da transparência, da participação e da legitimidade democrática.
O PCP defende o voto presencial e está de acordo com o voto electrónico presencial. Os tempos de modernidade em que vivemos para aí apontam! Voto por correspondência é voto condenado!

segunda-feira, julho 07, 2008

Comunidades Portuguesas x Futebol x Economia


 

Nos últimos tempos, o tema Comunidades Portuguesas, tem sido muito badalado na imprensa Portuguesa. As Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo, têm sido ao longo de muitas décadas os "parentes pobres" dos Governantes Portugueses, e de repente, eis que vem o Presidente da República, durante as cerimónias do Dia de Portugal, lembrar-se que as Comunidades Portuguesas são um parceiro importante para a economia portuguesa. Ainda bem, pois, mais vale tarde que nunca. Tem valido a atitude de ter um acessor, para a àrea das Comunidades Portuguesas e tem tido visitas específicas às Comunidades.

Se o papel do Presidente da República é dar relevo a este tipo de questões, já o papel do Governo, como òrgão executivo, é de colocar em prática políticas que sejam importantes para as Comunidades Portuguesas. Infelizmente os sucessivos governos de portugal têm tido um papel de retirar às Comunidades Portuguesas, a importância que as mesmas devem ter. Ao que temos assistido em muitos anos de Governos dos partidos PS/PSD/CDS, é uma fraca contribuição para as políticas em prol das Comunidades Portuguesas.

Nos dois últimos Governos de PSD/CDS e no actual Governo do PS, as Comunidades Portuguesas, têm sido o alvo, da politica economicista, e da destruição completa de alguns poucos aspectos que ainda funcionavam nas Comunidades Portuguesas.

Nas questões de ensino de língua Portuguesa, o que temos é um abandono total dos sucessivos Governos. Qualquer dia os nossos Governantes, quando deslocarem-se às Comunidades Portuguesas vão-se limitar a falar com Portugueses em outra língua que não a portuguesa. O desmantelamento dos cursos de língua portuguesa são um facto, menos apoio, menos professores, menos alunos. É escandaloso!
Neste sentido, até o apoio aos jornais regionais de portugal, como veículo informativo e de manutenção da língua portuguesa, foi cortado.

Nos apoios consulares, são os encerramentos desses postos como medida de restruturação. Encerram-se Consulados e vende-se o património, a "bem da política economicista". O serviço público português junto das Comunidades, é as Comunidades Portuguesas percorrerem centenas de quilómetros para fazerem actos consulares (passaportes, BI, certidões, registos de nascimento, etc, etc).

Com a situação da contagem para a reforma dos ex-combatentes que vivem nas Comunidades, é uma luta que demora há anos, e promessas governamentais têm sido muitas. Infelizmente a aplicação da lei, foi atirada para a calendas gregas.

Ás questões dos novos fluxos migratórios portugueses, onde milhares de pessoas têm tomado novos rumos, dado as debilidades económicas e sociais que existem em Portugal, tem sido um grande problema e uma vergonha pelos contronos que tem. Existem actualmente situações, bem piores que nos anos 60, onde milhares de pessoas também procuraram a emigração em vários continentes.

Os Govenantes Portugueses tratam as Comunidades Portuguesas, como se fossem algo de menor, dando show-off em coisas que são muito pouco importantes no dia a dia das Comunidades.
Veja-se a questão dos Prémios Talento, em que foi transmitido em directo pela RTP1. Até parece a atribuição dos "Oscar's das Comunidades", tudo o que está por detraz desta orgânica (a forma de concorrer e a forma de atribuição do prémio) é simplesmente a promoção pessoal de quem organiza. Os premiados, que certamente até poderão ter o seu mérito, são instrumentos de toda essa promoção pessoal.

Nas últimas semanas, veio o Campeonato Europeu de futebol na Suiça, e novamente aproveitam-se os governantes e os média, com a força "dos migras", que até são importantes para darem uma forcinha a Portugal e dão nas vistas os potenciais, dessas comunidades.

No programa Prós e Contras da RTP, veio à discussão a coesão ou alienação nacional, atravéz do fenómeno do futebol e foram tomadas em consideração durante a discussão, as Comunidades Portuguesas.

Claro que nada veio de novo nesta discussão, pois quem conhece e vive com as Comunidades Portugesas, sabe que elas sentem muito mais a questão patriótica, fora de Portugal, comparativamente aqueles que vivem em Portugal.

Os jovens nas Comunidades Portuguesas, sentem muito mais, essa identidade, pois no seu dia a dia, são confrontados com outras culturas, e existe algo de muito especial e será talvez inexplicavél, que os nossos filhos e netos, têm grande orgulho de carregarem com eles as cores nacionais, ou seja numa bandeira, ou numa simples camisola com as cores de Portugal, sendo assim não só no futebol, mas sempre, que haja algum acontecimento desportivo, que esteja presente a representação Portuguesa.

A isto só se deve o trabalho de muitas centenas Associações Portuguesas, de muitas centenas de Comissões de Pais das Escolas Portuguesas, dos professores de língua portuguesa, e de muitos milhares de voluntários que muito que se têm dedicado ás questões das Comunidades Portuguesas, em muitas vezes, sem qualquer apoio de Portugal.

Lamentávelmente a tudo isto os Governantes Portugueses têm estado alheios ao longo de muitos anos.
O Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), tem várias recomendações no sentido de alertar para o potencial económico das Comunidades Portuguesas, mas teria como "moeda de troca" uma outra atitude política dos Governantes de Portugal. Mas o caminho que tem sido traçado pelos Governos de Portugal tem sido outro.

Também uma questão que os Governos de Portugal, têm de começar a tomar em consideração mas a sério, é a questão do recenseamento eleitoral, para as Comunidades Portuguesas e todo o sistema que o envolve. Neste momento as Comunidades Portuguesas abrangem somente 180.000 recenseados, dos quais somente cerca de 15.000 participam nas eleições, para eleger quatro Deputados. Tudo isto num universo de cerca de 5 milhões, pois o receseamento não é obrigatório.
E como poderia ser obrigatório, com base na actual lei, que tem de ser feito presencialmente, no Consulado ou Embaixada de Portugal. Milhares de pessoas não estarão nada interesados em deslocar-se centenas de quilómetros ou em alguns casos milhares, para fazerem o seu resenceamento.
Um bom exemplo são os Espanhóis tem este trabalho simplificado, com a inscrição consular, que torna de imediato o recenseamento eleitoral válido.

Enfim, as Comunidades Portuguesas são certamente um potêncial económico, mas necessitam de políticas sérias dos Governos Portugueses, e que as mesmas Comunidades não sejam aproveitadas para os momentos, que melhor interessa aos políticos.

José Xavier (*)

(*) Membro do Conselho das Comunidades Portuguesas.